sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A Respeito de Papai Noel e da Fada dos Dentes

Há muito, mas muito tempo, quando a Terra era muito mais jovem do que é agora, havia muito pouca separação entre o que, hoje, vocês pensam ser o invisível e o que é uma visão clara. Isto é, existia fadas, gnomos e uma grande variedade de “pequenos seres” que moravam no mesmo lugar que os “grandes seres,” ou os seres humanos. Estes pequenos seres se pareciam com os homens, mas não eram homens. Na verdade, Eles eram muito mais velhos que os homens embora parecessem pequenos e do tamanho de crianças. Eles não moravam muito perto uns dos outros como acontece hoje em dia entre os vizinhos, porque as necessidades, desejos e dissabores eram diferentes. Mas moravam na mesma comunidade e sabiam tudo um do outro e até ajudavam-se mutuamente de vez em quando.
Como os pais podiam, às vezes, estar muito ocupados, as crianças é que tinham que procurar a companhia de outras pessoas que lhes contavam maravilhosas histórias que se passaram há muito tempo e muito longe dali. Estes pequenos contadores existiram no planeta por muito mais tempo do que a existência dos homens na face da Terra e tinham muitos talentos e habilidades. Eles sabiam como se transformar, eles sabiam como penetrar Terra adentro, e sabiam também como ir em lugares que não eram nem cá nem lá, lugares mais parecidos com “esconderijos”.
Com o passar do tempo — e entendo por tempo um período muito longo — a vida na face da Terra se tornou mais difícil para as famílias humanas. Havia muitas razões para que isto acontecesse. Algumas das razões serão de difícil entendimento para vocês por se tratar de guerras e lutas de poder entre outras coisas que os levariam a dizer: “Por quê não se limitaram a parar com tudo aquilo?”— e estariam certos.
Infelizmente, não pararam. Eventualmente, os pais não deixaram os filhos irem visitar os amigos mais freqüentemente com medo pela sua segurança e também porque havia tanto trabalho a ser feito que a ajuda das crianças era necessária. Os pequenos seres poderiam ter ajudado os seres humanos já que eles tinham poderes e habilidades que a Mãe Natureza lhes tinha dado, mas os seres humanos nunca pediram. (Havia uma regra muito importante que dizia que a magia só podia ser para boas finalidades e desde que propriamente requisitada.)
Depois de muitos e difíceis anos de luta e de dureza, os seres humanos começaram a perder todo senso de alegria ou felicidade e o riso se tornou escasso. As fadas e outros seres pequenos começaram a retirar-se em outros reinos onde havia mais paz e harmonia. Uma separação gradual entre as palavras estava acontecendo e parecia que ia se tornar permanente.
As crianças sentiram muito mais a falta das suas amigas fadas e as fadas também.As fadas resolveram visitar as crianças à noite quando estivessem em suas camas e quando as casas estivessem quietas. Muitas vezes, traziam presentes especiais dos outros reinos, que elas colocariam nas camas das crianças para que pudessem vê-los ao acordarem. Não se usava travesseiro naquele tempo, mas havia forros e cobertores macios.
As crianças ficavam animadas com estas visitas e ficavam horas admiradas diante delas. Como o costume era trocar os presentes e não apenas recebê-los, as crianças procuravam algo para dar em troca. Às vezes eles davam uma pequena espiga de trigo, que as fadas acreditavam dar boa sorte; às vezes eles davam algo parecido com um pequemo copo de mármore, só que feito com um cristal muito fino; e às vezes as crianças davam um dos seus dentes que tivesse caído. Eles muitas vezes queriam mostrar às fadas que estavam crescendo grandes e fortes, de modo que o dente se tornou um símbolo de saúde e de crescimento.
Com o passar do tempo, os véus que separam os mundos se tornaram cada vez mais espessos, até parecia existir um cortina entre os mundos. Quando os seres humanos se deram conta do que tinha acontecido, já era tarde demais. Algumas das crianças estavam até começando a esquecer as suas mágicas fadas amigas que lhes vinham fazer visitas noturnas.
Muitas gerações de seres humanos vieram e se foram. Foram tantas, na verdade, que muito pouca gente se lembra se as fadas, gnomos e os outros pequenos seres jamais existiram realmente ou se eram apenas um velho mito dos tempos idos. Muitos pais tentaram manter as histórias vivas apesar da grande distância no tempo e ficam sentidos porque nem eles podem explicar tudo. Talvez tudo isto lhes lembre sua infância em épocas mais simples.
Hoje em dia, sobrou muito pouco da verdadeira história ou da especial relação entre as crianças e as fadas. Substituir os dentes por dinheiro é um costume muito recente. O dinheiro pode ser uma experiência brilhante, sonora, divertida no despertar. O que os pais estão realmente tentando fazer é manter uma pequena magia viva para vocês e para eles mesmos. Muitas vezes, os pais fazem o que os pais deles fizeram, que os pais destes últimos fizeram e assim por diante. Às vezes, parece ser a coisa certa para se fazer e outras é uma questão de fazer o que qualquer outra pessoa faz.
Você pode querer mudar a tradição na sua casa e começar uma outra cuja verdade você conhece. Se quiser comunicar-se com anjos e fadas, pode chamá-los a qualquer momento, mas especialmente antes de adormecer e na hora de acordar.
A verdadeira história de Papai Noel ou São Nicolau é uma história parecida. Há muito, muito tempo, vivia um homem cujo nome parecia ser algo como Neek-loos. (Ele era de um lugar diferente e falava uma outra língua, razão pela qual o seu nome era de pronúncia difícil e soava como algo um pouco parecido com Nicolau, um nome comum hoje em dia.) Aliás, era um homem feliz, como a gente o imagina geralmente, e ele gostaria muito de se casar e ter muitos filhos. O seu trabalho envolvia tudo quanto era feito com madeira e metal. Ele começou fabricando vagões e outros instrumentos que pudesse usar para cultivar os campos, mas o seu trabalho se tornou tão fino que virou gradualmente marcenaria, oficina de móveis. Para se entreter (não existia televisão naquela época ) ele fabricava e esculpia facilmente objetos cuja beleza maravilhava as crianças e os adultos.
Infelizmente, a sua jovem mulher assim como a criança que ela esperava morreram no parto. Ele morava numa pequena aldeia e muitas técnicas modernas que poderiam tê-los salvo hoje em dia, não existiam naquela época. Como ele estava muito infeliz, ficou horas e horas, dias e dias, esculpindo coisas bonitas que teriam tornado felizes a sua mulher e seu futuro filho. Supostamente, ele superou sua tristeza dando estes objetos às crianças da aldeia que lhe trouxeram guloseimas que as suas mães haviam feito como demonstração de carinho para com ele e para ajudá-lo. A aldeia onde ele morava era pequena e não muito próspera, e as coisas bonitas não eram muito comuns nas pequenas casas que pareciam casinhas de sapé.
Neek-loos ficava ocupado fazendo os vagões, instrumentos e brinquedos para as crianças. Ele era tão talentoso e gentil que era impossível para qualquer um, retribuir o seu trabalho, de modo que a aldeia o homenageava anualmente com uma festa. Ele era muito modesto e tímido e achava tudo isto difícil, mas gostava muito da comida e da companhia das famílias.
Como era tímido, passou a entrar, todos os anos, discretamente nas casas das outras famílias depois da ceia e deixar-lhes pequenos presentes como prova de seu apreço. As casas não eram fechadas naquela época como nos dias de hoje, de modo que o acesso não era difícil para ele. Elas eram abertas no topo para permitir a saída da fumaça e a entrada do ar fresco. Muitas vezes, ele teve que trepar pela chaminé, sair por baixo e deixar os presentes para não acordar ninguém. A reaçao aos seus presentes-surpresa era tão grande e lhe trouxe tanta alegria que ele fez desta entrega de presentes a sua verdadeira tradição de cada ano. Este homem maravilhoso morreu numa idade muito avançada, tendo encontrado a paz de sua alma, a felicidade de seu coração e o propósito com que viveu os seus dias.
Existiram outros homens maravilhosos, ao longo da história, que davam sem receber nada em troca. Eles vieram em vários momentos nas histórias de vários países. É por esta razão que muitos países têm tantas tradições e nomes parecidos para estes grandes homens muito embora as datas, fatos históricos e as indumentárias e outros detalhes se tenham confundido ao longo dos anos. O seu espírito de amor por toda a humanidade passou até a ser associado com outros grandes seres, incluindo um que vocês chamam Jesus Cristo. Algumas religiões até os reivindicam — e quem pode condená-los por querer ser associadas a seres tão magnânimos?
Embora Nicolau, Papai Noel, Kris Kringle e outros como eles tensham ido embora da Terra há muito tempo agora, é o seu espírito de amor, de dar e compartilhar que nós devemos lembrar a todo momento, não só nos festejos de final de ano chamados Natal.
Se vocês entenderem a verdadeira mensagem de amor por trás destas estórias históricas que partilhei com vocês, então compartilhem-na com os seus pais. Deixe-os saber que vocês estão prontos para celebrar as suas tradições familiares de forma diferente. Eu sei que vocês podem manter a magia e o amor vivos. Ouçam tudo o que os seus pais, professores e outros mais velhos que vocês respeitam têm para lhes dizer, e ouçam então a vozinha dentro de vocês, ela sempre sabe a verdade e nunca vos enganará. Tenham um coração e uma mente abertos e a verdade e o amor sempre os encontrará. Mantenham a magia viva acreditando em vocês mesmos e acreditando que tudo é possível desde que o coração o deseje e desde que sirva para nobres propósitos.






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