O que é Odontopediatria?
A odontopediatria é o ramo da odontologia que cuida da saúde bucal das crianças. Hoje sabemos que o grande medo que as pessoas têm de enfrentar a cadeira do dentista é devido às experiências negativas que tiveram quando crianças. Por esse motivo, o trabalho do odontopediatra é tão importante.
São eles os responsáveis pela higiene não só das crianças que já tem dentinhos, mas também dos bebês e das gestantes. Aliás, as mães devem procurar esses profissionais ainda durante a gravidez, enquanto ainda tem um tempinho sobrando, para se informar sobre os cuidados que devem ter a partir do nascimento.
O tratamento para crianças também requer cuidado especial. Os pequenos precisam de maior atenção e psicologia para que a visita ao dentista não vire uma tortura. O ambiente também deve ser atrativo, ajudando a criança a se sentir confiante e descontraída.
É importante que os pais conversem com o odontopediatra sobre qualquer experiência ruim que a criança tenha tido para que o profissional saiba ajuda-lo a lidar com esse medo e o tratamento ocorra da melhor maneira possível.
As futuras mamães podem, e devem, cuidar dos seus dentes, independente do período de gestação. O dentista irá decidir quais procedimentos podem ser realizados e em qual período. É importante que a gestante com necessidade de tratamento procure o dentista logo no começo da gestação, para que o dentista decida o momento e o procedimento mais oportuno. Normalmente, esse momento é no segundo trimestre da gestação, período de maior estabilidade da mamãe e do bebê.
O nível de saúde bucal da mãe tem relação com a saúde bucal da criança. Portanto, hábitos saudáveis de higiene bucal e uma boa alimentação devem ser adotados desde a gravidez. Para ter uma alimentação equilibrada, a gestante deve evitar a adição de açúcar, já que o açúcar natural dos alimentos é suficiente para a saúde da gestante e o do bebê.
Aquela história que durante a gravidez os dentes da mãe ficam mais fracos e apresentam problemas não têm nenhum fundamento. O aparecimento de cárie nesse período está relacionado apenas à mudança da dieta da gestante, mas de nenhuma forma à gravidez em si. Com uma dieta balanceada e uma boa higiene bucal, os dentes da mãe e os do bebê não serão prejudicados.
Cuidando dos dentes das crianças
Conforme a criança vai crescendo e mudando seus hábitos alimentares, a atenção com os dentes deve redobrar. Chega uma fase que eles não têm hora certa para comer, estão sempre com balas na boca, querem tomar um picolé em cada esquina, e carregam pacotes de salgadinhos aonde vão.
“O ideal é que a criança escove os dentes sempre após as refeições e após ingerir alimentos doces que contém açúcar, como chocolate, bolo, pirulito, bolacha recheada, bala, brigadeiro e chiclete”, diz a Dra. Christiana Murakami, especialista em odontopediatria da Clínica Portal do Sorriso. Porém, como às vezes eles emendam uma guloseima atrás da outra, a melhor solução é estipular os horários. “Recomendamos que a criança escove os dentes ao menos três vezes ao dia: após o café da manhã, o almoço e o jantar”.
De todas, a escovação antes de dormir é mais importante. Segundo a odontopediatra, a saliva protege os dentes contra cárie e quando dormimos a produção de saliva cai, deixando os dentes mais suscetíveis à ação das bactérias. Tão importante quanto a freqüência de escovação é a utilização de uma técnica de escovação correta e adequada para a faixa etária da criança, que deve ser ensinada pelo odontopediatra. O uso do fio dental após cada refeição também é tão essencial quanto à escovação.
Alternativa para o flúor
O flúor é, sem dúvida, a substância mais utilizada no combate contra as cáries. Porém, alguns especialistas alertam para o perigo da combinação do teor de flúor da água com o dos cremes dentais comuns, que muitas vezes é ingerido pelas crianças durante a escovação, e pode levar à fluorose dental.
No mercado, pode-se encontrar alguns produtos que apresentam alternativas para o flúor, com a mesma função de combate às cáries, como a clorexidina, xilitol e a malva.
Segundo a Dra. Christiana Murakami, a clorexidina está presente em alguns enxagüatórios bucais e em formas de aplicação profissional, isto é, pelo dentista. Ela é bactericida, mata e diminui a quantidade de bactérias.
O xilitol, um adoçante natural encontrado em plantas, é um outro aliado no combate às cáries, pois tem capacidade de reduzir a incidência da doença, inibindo o crescimento da bactéria que causa a cárie. A substância é utilizada em produtos como chicletes e pastas de dente infantil.
“Outra substância presente em algumas pastas de dente e enxagüatórios é a malva, que possui principalmente um efeito antiinflamatório sobre a gengiva, porém, não possui efeito comprovado sobre as bactérias que causam a cárie”, diz a dentista.
É importante lembrar que essas sustâncias alternativas, assim como o flúor, não devem ser utilizadas sem a orientação de um profissional, pois se ingeridas em excesso podem prejudicar a saúde das crianças.
Alimentos de risco
Infelizmente, os alimentos mais apreciados pela criançada são os chamados “cariogênicos”, ou seja, contém açúcar e causam cárie.
Quando comemos alimentos açucarados, as bactérias da placa bacteriana se alimentam desse açúcar e, depois de ingeri-lo, liberam um ácido no dente que causa a cárie. Isso significa que temos que tomar muito cuidado com tudo o que as crianças comem.
“Todos os alimentos e bebidas que contêm sacarose causam cárie, desde a cana de açúcar até balas, chicletes, pirulitos, brigadeiros, bolachas recheadas, danoninho, refrigerantes, sucos, achocolatados, entre outras guloseimas”, afirma a odontopediatra Christiana Murakami. Além destes, outros alimentos como salgadinhos que contêm amido e o mel também podem causar cárie, pois também podem ser metabolizados pelas bactérias.
Com relação aos alimentos cariogênicos, é importante considerar dois fatores: a freqüência de ingestão e a consistência do alimento. “Ao invés de comer um doce agora, dali a um tempo comer outro e dali a pouco comer mais outro, é melhor que a criança coma todos os doces que quer em um momento do dia, como depois do almoço, e depois escove os dentes”, sugere a especialista.
“O pirulito, o chiclete e a bala permanecem por muito tempo na boca da criança, deixando o pH da saliva ácido por muito tempo, ‘matando’ todas as bactérias boazinhas e deixando só as bactérias cariogênicas fazendo a festa com o açúcar”, conta a Dra. Cristiana.
Uma forma eficiente de combater as cáries é comer alimentos açucarados apenas durante as principais refeições, já que as crianças escovam os dentes depois. E nos intervalos, dê à criança alimentos não cariogênicos como as frutas, queijos e iogurtes não adoçados.
Se a criança ingerir açúcar, especialmente mais pegajosos que ficam grudados no dentes como balas e caramelos, e não puder fazer a escovação depois, é recomendado fazer um bochecho com água para diminuir a ação do açúcar nos dentes.
Uma curiosidade é que pesquisas mostram que alguns alimentos como o queijo e o amendoim aumentam o pH da boca e podem ajudar um pouco a diminuir o risco de ter cárie. “Porém, não devemos basear a dieta da criança somente nestes alimentos e é importante lembrar que a higiene oral adequada é o fator mais importante e essencial para se evitar a cárie”, alerta.
Dente Mole
Por volta dos sete anos de idade os primeiros dentinhos da criança começam a cair e começa a fase das “janelinhas”. Isso acontece porque os dentes permanentes absorvem o cálcio existente nas raízes do dente de leite. E quando esses dentinhos perdem sua raiz, ficam moles e caem.
As crianças, impacientes por natureza, e muitas vezes incentivados pelos pais, acabam querendo arrancar o dente assim que ele começa a amolecer. Porém, o natural é deixar ele ficar bem mole até cair sozinho. Para os mais apressadinhos, a Dra. Silvia Chedid recomenda dar uma "mãozinha". “Qualquer método é válido dependendo da colaboração da criança”.
Caso o dente esteja difícil de cair naturalmente o dentista deve ser procurado para fazer a correta remoção, pois se este dente permanecer mais tempo que o necessário pode atrapalhar a erupção do permanente e causar problemas ortodônticos.
Se sair muito sangue na hora que o dente cair, basta estancar o sangramento comprimindo a área com gaze ou algodão molhado com água fria.
A Cárie de Mamadeira
A cárie de mamadeira é uma doença que acomete os bebês e está relacionada principalmente à ingestão de líquidos açucarados durante a noite. Ou seja, aquela história de que não devemos dormir sem escovar os dentes também vale para os pequeninos.
Depois da mamada, o leite fica estagnado na boca da criança. Além disso, a salivação da criança diminui durante o sono. Esses fatores, associados a uma má higiene da boca, fazem com que a cárie se desenvolva muito rapidamente, causando grandes estragos nos dentes das crianças.
Para evitar isso, é importante que a mãe não adicione açúcar ao leite da mamadeira e evite que a criança durma logo depois de mamar. Deve-se ainda escovar o dente da criança depois de cada mamadeira, e antes de dormir a escovação deve ser reforçada com um pouco de pasta de dente, já que o período da noite é o mais crítico para o surgimento de cáries. Com o tempo, a mamadeira deve ser substituída gradativamente por líquidos no copo.
O que é cárie?
Afinal, o que é essa tal de cárie, um pequeno pontinho preto que faz a gente morrer de dor e ter que enfrentar aquele aparelhinho tão barulhento e desagradável?
Segundo a odontopediatra Bruna Montecchi, cárie é uma doença causada por microorganismos que colonizam a placa bacteriana dos nossos dentes que agem desmineralizando o esmalte dentário e assim formando cavidades nos dentes.
Um dado que muitos pais não têm conhecimento é que a cárie é causada por bactérias e é transmissível. Como essa transmissão pode passar da mãe para o bebê, é preciso evitar qualquer contato da saliva materna no alimento do bebê como, por exemplo, assoprar a comida e experimentar a papinha diretamente da colher da criança.
Os perigos da má higienização
Quando falamos da importância de escovar bem os dentes, a primeira coisa que vem à cabeça é, certamente, as cáries. Porém, o problema vai muito além das cáries!
Se a higiene oral é mal feita, pode causar uma série de problemas que vai se complicando e, conforme a gravidade, pode resultar na perda do dente. “A má higienização pode causar um acumulo excessivo de placa bacteriana que, além de cárie, causa tártaro resultando em uma inflamação na gengiva. Com o passar do tempo esta inflamação pode se tornar uma periodontite ou até mesmo a perda de um dente”, alerta a especialista Bruna Montecchi.
A escolha da escova ideal
A escolha da escova de dente é outro ponto muito importante, que merece toda a atenção dos pais. Se uma criança de cinco anos usar a escova de um adulto, que normalmente é tamanho 35, a escova não vai caber na boca e vai machucar a criança.
As escovas de dente infantis têm vários tamanhos, que variam de acordo com a dentição e a etapa de crescimento da criança. As escovas dentais para bebês são colocadas no dedo da mãe para facilitar a escovação. Um outro tipo de escova é especialmente desenvolvido para o primeiro estágio dos "dentes de leite", que vão dos seis meses de idade aos dois anos e meio, quando a criança já apresenta todos os dentinhos na boca. Há ainda um terceiro modelo de escova infantil para crianças com dentição mista, quando os dentes de leite caem e começam a erupcionar os dentes permanentes, a partir dos 6 anos de idade até os 12 anos.
Também é preciso ficar atento ao modelo da escova. “Normalmente usamos a mais simples, com cerdas macia e do mesmo tamanho”, ensina a odontopediatra Bruna Montecchi.
Já as escovas automáticas, são contra-indicadas para os pequenos. “Não é aconselhável, pois as escovas automáticas atrapalham no aprendizado da técnica de escovação, além do que, é menos eficaz que uma escovação manual”, alerta a dentista. Ela explica que com escovas automáticas é comum a criança escovar um pequeno grupo de dentes, normalmente os anteriores, uma vez que, a cabeça da escova é muito grande e não cabe na parte posterior da boca.
Aprendendo a escovar os dentes
É bom motivar e ensinar a criança a escovar os próprios dentes e passar o fio dental para que ela desenvolva um sentimento de responsabilidade pela sua saúde oral. Porém, até os seis anos de idade, a criança não tem coordenação nem habilidade suficiente para realizar uma escovação eficaz. Até ela ficar craque, um adulto precisa estar sempre por perto na hora de escovar os dentes.
Em primeiro lugar a criança precisa aprender a dividir corretamente o tempo de escovação dos dentes e fazer o movimento durante 10 segundos em cada grupo de dois dentinhos.
Existem várias técnicas para ensinar as crianças a escovar o dente. A Dra. Christiana Murakami ensina uma técnica chamada Fones, que envolve três movimentos básicos: trenzinho, bolinha e vassourinha.
“Nas superfícies oclusais dos molares (aonde mordemos, nos dentes de trás) fazemos o trenzinho, um movimento de vai-e-vem pegando de 2 em 2 dentes e sempre contando até 10. Em seguida fazemos a bolinha, movimentos circulares nas superfícies vestibulares (na parte “de fora” dos dentes, que fica voltada para os lábios) sempre pegando o dente e a gengiva para prevenir a gengivite. Por último fazemos a vassourinha, movimento de varrer, partindo da base do dente perto da gengiva e indo “para cima” e em direção a bochecha nas superfícies linguais (face do dente que fica ao lado da língua nos dentes de baixo e voltada para o céu da boca nos dentes de cima)”.
Quando terminar todos os dentinhos, a criança deve escovar a parte superior da língua e passar o fio dentel, que também ajuda a abrir o espaço entre os dentes para as cerdas da escova penetrarem melhor.
O fio dental serve para limpar os lugares que a escova não consegue alcançar. “Mesmo em crianças que têm os dentes de leite bem espaçados, a escova não consegue limpar dos ladinhos e é essencial passar o fio dental nas faces laterais dos dentes fazendo um movimento de esfregar, parecido com o de engraxar sapatos ou de secar as costas com a toalha”, alerta.
CREMES DENTAIS COM POUCO FLUOR INDICADOS PARA CRIANÇAS SÃO INEFICIENTES
Alguns anos atrás, o mercado lançou cremes dentais com baixa concentração de flúor, indicados para crianças, a fim de evitar o acúmulo de flúor no organismo dos pequenos, o que causa a fluorose, aquelas manchinhas brancas nos dentes.Recentemente, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostrou que os cremes dentais com baixa concentração de flúor não são tão eficientes contra as cáries, além de não evitar a fluorose.
A tese de mestrado desenvolvida por Regiane Cristina do Amaral estudou 14 voluntários que usaram um aparelho com fragmentos de dente de leite e fizeram uso de cremes dentais com maior e menor concentração de flúor, além de consumirem diferentes taxas de açúcar por dia. O resultado da pesquisa foi que quanto maior a exposição ao açúcar, menor o efeito protetor do creme com pouco flúor.
O presidente da ABO - Sociedade Brasileira de Odontopediatria, Dr. Paulo Rédua, defende a mesma idéia da pesquisa de que mesmo crianças pequenas devem usar pasta com flúor. “Existe uma interpretação errada quando se fala que creme dental causa fluorose. O que causa fluorose é excesso de flúor ingerido pela criança sem controle dos pais. Creme dental é para ser usado na quantidade certa, sob recomendação do odontopediatra e sob supervisão de adulto”, ensina o especialista.
A ABO, assim como o Ministério da Saúde, recomenda o uso de creme dental convencional com flúor a partir da erupção dos primeiros molares decíduos (em torno de 14 meses), na quantidade equivalente a um grão de arroz, sob supervisão dos pais, entre uma a três vezes por dia, dependendo da disponibilidade dos pais. Antes desta idade, com a presença apenas dos dentes anteriores, a recomendação é que a limpeza seja feita com fralda ou gaze umedecida em água pura.
Existe no mercado alguns cremes dentais que, ao invés de flúor, utilizam produtos como a clorexidina, o xilitol e a malva. Segundo o Dr. Paulo Rédua, o creme dental com xilitol tem capacidade de tratar e prevenir a carie, mas tem um custo mais alto e precisa de mais pesquisas. A malva tem ação antiinflamatória e antimicrobiana, mas também carece de mais estudos. Já a clorexidina é indicado para casos específicos de risco de cárie, porém, esse produto pode causar o aparecimento de manchas externas nos dentes. A recomendação da Associação Brasileira de Odontopediatria é que os pais procurem orientação de um odontopediatra para o profissional avaliar as necessidades individuais da criança e determinar o tratamento curativo ou preventivo.
Traumatismo dentário
Durante a infância é comum que as crianças, que levam milhares de tombos aprendendo a andar, correndo, brincando e andando de bicicleta, acabem batendo os dentes. Por isso, os pais devem saber como proceder no caso de um acidente para conseguir “salvar” o dente ou, pelo menos, diminuir o estrago.
No caso de pancadas, pode haver a fratura de uma parte ou a perda total do dente. A Dra. Silvia Chedid, consultora em Odontopediatria da ABO (Associação Brasileira de Odontologia), alerta para a importância de procurar um especialista o mais rápido possível nesses casos de emergência. “Nestas situações, os pais SEMPRE são orientados a procurar um dentista”.
O traumatismo pode afetar o dente de leite, ocasionando o seu amolecimento e comprometendo a dentição permanente. Em muitos casos, o dano é muito maior do que aparenta, por isso, um profissional deve avaliar a lesão através de radiografias. O dente pode começar a escurecer só dois ou três dias depois do acidente, o que é um indício da perda da vitalidade do dente.
A consultora ensina que se houve fratura ou perda total do dente, os pais devem tentar conservá-lo em leite, soro fisiológico ou, se a criança for mais madura, conservá-lo sob a língua até chegar ao dentista, que tomará as providencias. Neste último caso, a criança deve ser bem orientada a tomar o cuidado de não engolir o dente ou o fragmento.

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